Hoje, no caminho do trabalho, parecia que tudo no dia estaria para dar certo. Esqueci de colocar o celular para despertar e mesmo assim acordei no horário, saí de casa apenas dois minutos atrasada, o que significava que eu poderia aproveitar "as belas paisagens" do caminho, fiz uma combinação bacana de roupa, encontrei o moço bonito que me cumprimenta sempre,... Na esquina da empresa pisei num buraco que foi feito especialmente para as pessoas cairem, porque aquela porcaria tinha o exato tamanho do meu pé (talvez tenha sido feito para eu cair). Aí tive que me obrigar a parar e me agachar - no meio da calçada - para limpar meu tênis novo de estampa de oncinha que ficou todo, repito, todo sujo de barro. Parecia coisa de filme: o carro parou examamente ao meu lado e um guri desceu, devia ter seus quatorze, quinze anos, deu três passos e alcançou a lixeira, jogou lá um papelzinho de bala. Quando estava voltando para o carro, desviou de mim, entrou e partiu no sinal amarelo.
Que coisa mais idiota. Ele fez, provavelmente, o pai dele parar o carro para ele jogar um mísero papel de bala. Num mundo onde vemos tantas pessoas acumular lixo dentro de seus automóveis ou simplesmente jogá-lo pela janela. Mas que porra, ficou igualzinho redação de ENEM esta parte.
Mas eu, como romântica incorrigível, com essa carinha de - quase 18 - e espírito de 140, logo associei com os meus problemas de coração. Eu vivo acumulando papel de bala no meu automóvel cardíaco, já cogitei a hipótese de simplesmente jogá-los pela janela, como a maioria das pessoas fazem. O problema é que a ecochata aqui é absurdamente incapaz de esquecer ou ser indiferente. Eu me envolvo com o meio ambiente e com seus habitantes. Eu amo. Se eu pelo menos conseguisse depositar esses papeizinhos no tempo certo, no lugar certo, eu conseguiria ser mais limpa e contribuir com o meu mundo.
Quando eu levantei do chão, revirei os bolsos e achei dois papeis. Um era de bala de iogurte, passei três anos chupando essa bala (sem trocadilhos, por favor) e há um ano e meio que esse papel estava no bolso, aguardando um momento de voltar. Joguei fora sem remorso. O outro papel de bala era um viajante de dois estados, mas esse eu não tive coragem de jogar.
Deixa eu guardar só um papelzinho, vai? Prometo que os outros eu não deixo acumular. :(
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