O cenário era a praça Osório, o clima, frio. Dezessete horas e trinta minutos da tarde do dia dezoito de setembro. Tava ventando pra cacete ontem no final da tarde. E curitibano é só por um suéter por baixo de um casaco mais comprido que já se sente o astro europeu, se sente meio melancólico, meio cult. Falta só sentar em algum café da rua XV e pedir um expresso. Eu já havia chegado na Boca Maldita, já e pensando mal de todos os curitibanos pseudo cults que passavam por ali. Até os moradores de rua tinham aquele ar de arrogância e, naquele momento, isso não me agradava em nada. Mas enfim, eu já havia chegado na Boca Maldita quando aquele aperto no peito me fez chegar a ponto de parar, sentar num banco, chorar e ter vontade de vomitar. Fiquei ali sentadinha, enroscada, branca feito papel, esperando que o mundo virasse em quatro paredes que avançariam de todos os lados para me esmagar. Nem me importei com a reação dos outros transeuntes que com certeza pensavam que eu era mais uma adolescente problemática digna de dó. Tirei, então, o caderno da mochila e escrevi. Escrevi palavras sem nexo, palavras que tinham todo o sentido do mundo, escrevi segredos, escrevi o rumo do mundo, fiz adivinhações e preleções, fiz rimas, fiz palavras vazias que estavam cheias de significado; escrevi um nome, dois, até três. Escrevi furiosamente até um risco meu atravessar duas ou três folhas, as páginas ensopadas de lágrimas. Não é querer ser piegas, mas elas realmente encharcaram. Chorei alto, chorei de soluçar. Aquilo acabou com a mesma rapidez com que veio: de repente, com a noite já fechada, fechei meu caderno e levantei. Sentei num bar há três quadras dali com uma sensação angustiante de vergonha. Todos me olhavam. Não sei se tinham visto a cena patética de desespero no meio da rua, ou se simplesmente se assustaram com a minha cara inchada. Fiquei pensando enquanto durava o café expresso no que diabos tinha sido aquilo? Estranha, diferente, efusiva, sempre fui. Mas louca, só no sentido figurado, mesmo.
O café já havia esfriado quando eu percebi que o que eu sentia era saudade.
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