quarta-feira, 4 de setembro de 2013

O processo prático do ciúme

   Numa terra não muito distante da nossa (aliás, mais perto do que você imagina) localiza-se um quartel general chamado Coco. No Coco mora o Cérebro, um cara mau, sem escrúpulos, ambicioso e orgulhoso. Mas o Cérebro vive num impasse: ele sabe que toda a terra depende dele para se continuar constante, mas não só dele, depende também do Coração. O Coração é aquele mocinho de filme idiota de comédia romântica, ingênuo e inconsequente que vive em função dos sistemas que movem a terra. Como o Cérebro sabe que não pode extinguir o Coração, ele vive para atazanar a vida do coitado, fazendo os outros sistemas o prejudicarem esporadicamente.  O Coração e o Cérebro dominam por serem os únicos caras a se relacionarem com o mundo exterior e a interação dos outros sistemas com esse mundo depende deles (se é que você me entende). Num dia desses, o Cérebro em sua ronda matinal localizou outras terras, terras estas que fizeram o Coração descompassar e mesmo que tentasse disfarçar, já era, o Coração era tomado de sentimentos que os nem órgãos (nem o Cérebro) conheciam. Até o Cérebro eliminava substâncias diferentes para todos os outros sistemas e de repende a terra começou a ficar mais fértil, mais corada, mais disposta, mais saudável. O problema é que todos atribuíram ao Coração o mérito de ter salvado a terra e passaram a chamar aquele período de paixão. O Cérebro então passou a experimentar sozinho a sensação que estava guardando a tanto tempo: a inveja. E tomado pelo sentimento mais destrutivo do planeta de todas as terras o Cérebro foi além da traquinagem. Em mais um dia em que o Coração enviou borboletas para o estômago para representar a ansiedade que sentia, o Cérebro avistou as outras terras causadoras do conflito já tomadas por outro Coração, outro Cérebro que conviviam em perfeita harmonia, como se um sistema fosse feito para se encaixar no outro. Então, vendo que sua chance era única e perfeita, o Cérebro convocou as baratas e mandou-as ao estômago, enfraquecendo o coração e os outros sistemas amigáveis a ele. O Coração continua tentando se recuperar, muita coisa aconteceu às suas terras que previam uma melhora cardíaca. Porém, cada vez que isso acontece, o cérebro envia as baratas que sempre acabam com as borboletas, não importa quão forte elas são. Este processo foi batizado de ciúme e se você, outra terra, me disser que é mentira eu vou dizer então que a culpa é sua por liberar as baratinhas do ciúme do meu cérebro.

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