terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Sol de três da manhã

Indefinido
Indeferido, prossigo
Sem vontades levadas em consideração
Insisto
Porque é melhor ter isso
Do que não ver nada, cegar por orgulho
E ser mal visto
Visto que agora as coisas mudaram
A quimera acontece
A utopia é mundo real
E a noite já amanhece. 

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Metade

Acordei querendo falar
atrasada como sempre,
hoje não teve café na mesa
unhas vermelhas descascadas
duas ou três meias lembranças intensas
não lembrava de tudo com nitidez
acho que a ansiedade embaçou minha visão
os olhos não enxergavam com clareza
abri então os olhos do coração
A alma morreu,
a alma morreu!
Que alguém leve esse corpo, por favor.
De que adianta meias verdades,
meias mentiras,
meia salvação, meia vida.
desviei o rosto pra não ver a bagunça dos lençois
não quero sofrer com a falta que você faz
não quero conviver com a confusão que você me traz
Tô esperando minha alforria
tentando ignorar a euforia
de cada palavra que você diz
Eu não sei o que você quer
Tudo bem, eu não sei o que eu quero
Eu quero que o silêncio não me enlouqueça
eu não quero ouvir zumbir
A alma morreu,
a alma morreu!
De que adianta meias verdades,
meias mentiras,
meia salvação, meia vida.

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013

Lolita

Piscou seus olhos de apagar a luz do dia
e eu consegui ouvir o farfalhar dos cílios
anoiteceu o sol da minha alma
o sorriso desenhado da doce menina

Pousou as mãos de seda em meu joelho
e ofereceu o peito em afeição
seu olhar me tirou o jeito
entregue ao pecado e à tentação

Moça dos cabelos de fogo
tuas cores me levaram às ruínas
caí na inocência do teu jogo
pelo teu convite me fascina

a melanina da minha pele não me bastou
e a experiência me levou à cova
em tua pele alva que a devassidão disfarçou
o diabo me pôs à prova

mulher já nasce sabendo tentar
e ignora a idade que tem
nenhum homem vai escapar
não importa de que lugar vem

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Amor livre (reflexão)

   Fiquei pensando no conceito de amor livre após levar na cara de hipócrita (hipócrita é o caralho, inclusive!) por alguém que nem parou pra pensar no que significa essas duas palavras.
   Amor livre, aliás, o que significa?
   Liberte-se dos rótulos, liberte-se dos conceitos sexistas, liberte-se da vergonha. Amar sem vergonha o amor-sem-vergonha, não ter medo de aceitar as qualidades e amar os defeitos. Não julgar. Fazer o que te dá vontade quando você se sentir à vontade. Amar pessoas, não gêneros. Amar pessoas e coisas e gêneros. Beijar aqui, ali, depois mais pra baixo (mas só se você quiser). Monogamia, bigamia, poligamia, gamia nenhuma desde que você e as outras gamas estejam em comum acordo. Porque é comum. Amar mais de uma pessoa é normal. 
   É normal amar assim?
   Não. Normal é botar rédeas no coração. Se sentir livre pra amar é hipocrisia. 
  "Criança não ama!" Ama sim, desgraça, ama mais que você. "Velho não precisa de sexo!" Precisa e tá fazendo mais que você. "Sou assexuado, não quero relação com nenhum dos gêneros." Não tem problema, vamos ouvir música, ver filme, se você não quiser me comer, a gente come uma pizza. 
   Eu me sinto livre porque eu amo. Existe frase mais clichê? E qual é o problema com os clichês? Eu me sinto livre porque eu amo com 17 anos, eu me sinto livre porque eu deixei livre para que a pessoa escolhesse ficar comigo ou não e quando ela escolheu não eu me libertei para continuar amando outras pessoas mesmo sem deixar por completo esse outro amor de lado. Eu amo com paixão, com 17 anos, com hipocrisia, por que não? Eu amo com entrega, porque paixão meia boca não me interessa.
    Eu não tô na idade de ser fria. Aliás, idade nenhuma é idade de ser frio.
   A liberdade do amor está no que você quer fazer para amar.
   Eu amo, amo a liberdade que o amor livre me dá.

O mês do amor

   Hoje é dia 03 de dezembro, mais precisamente 09h44 da manhã. Gostaria de lembrá-los que falta 18 dias para o verão. Só 18 dias. 
   Isso significa que não tem mais tosse, não tem mais rinite, não tem mais casalzinho grudadinho de amorzinho porque o verão tá chegando e, com o sol, chega a praia, as festas, curar ressaca de caipirinha com cerveja (quem é que namora nessa época né) e logo, logo tem carnaval. 
   E é, com muita alegria, que comunico que sobrevivi à primavera.
   Sobrevivi não sem algumas marcas, mas sobrevivi e cheguei ao meu segundo mês favorito do ano: dezembro, o mês do amor.
   Mês que a gente começa no gás tentando salvar o semestre nas últimas provas, trabalhando feito louco e conciliando tudo isso com festinhas de confraternização até do inferno com a presença ilustre do diabo que fica meio loucão depois das três da manhã. E depois do dia 23, dia da preparação oficial pro natal, a gente come até ter a sensação de que vai encostar na língua e sentir a última garfada de comida que engoliu, e aproveita as férias do jeito que nos deixa feliz. 
   O que eu vou fazer este ano eu não sei. Por enquanto eu estou tentando salvar meu semestre, trabalhando feito louca e conciliando tudo isso com festinhas de confraternização que, no caso, quem aparece é o meu chefe e fica muito louco depois das três da manhã. 
   Talvez eu vá pra praia dar uns beijos nos caras que até então estavam namorando e eu estava cobiçando, talvez eu cure ressaca de caipirinha com cerveja, talvez eu vá no pré-carnaval e dê pt na casa do meu melhor amigo. Talvez eu esteja a fim de só passar em casa vendo filme e série. 
   Talvez.
   Sei lá. 
   Dezembro é o mês do amor, afinal. Mas dezembro é o último mês da vida que eu estou levando agora. As coisas vão mudar e eu sinto isso, então talvez eu só queira aproveitar o marasmo que eu não tive durante os onze meses anteriores.
  Na verdade eu acho que já fiz nos onze meses o que as pessoas esperam pra fazer no décimo segundo. Acho que agora eu só tava a fim de sossegar.

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Descontrole

   Ah, madrugadas vazias de devaneios que nem poderiam imaginar qual vento apontaria a nós naquela noite fria. Eu estava muito louca, ou tinha sol às três da manhã? Então de onde vinha aquela luz toda que de repente apagou todas as sombras projetadas em nós durante todos esses anos? Pra onde foram os disfarces, os silêncios, as mentiras? As pedras duras colocadas sobre fatos com o café e os cigarros em cima da mesa numa manhã de domingo? "Eu não quero que você fique triste", ele dizia. Mas como entristecer se eu não preciso mais mentir? Será que ele não vê o alívio que senti ao saber que ele sabia sem que eu precisasse despir a verdade nos primeiros raios de sol às seis da manhã?
   O resto, o que vem depois, não importa tanto assim como importava naquela hora. Pensando bem, aqui no meu silêncio, o que importa é minha reclusão no casulo que faz sumir tristezas. O que vem depois... Ah, o que vem depois é fruto do nosso descontrole.

Parece naufrágio, mas é amor (o que é quase a mesma coisa)

É como viver à deriva
ter os olhos fechados no balanço
os lábios secos pela brisa
é naufragar no mar manso

Achar que foi encontrado
e ser perdido no abismo,
na imensidão machucado,
tempestade sem aviso.

Procurar apoio em gravetos
ignorar o resgate,
ser salvo no último momento.

Mas nós não temos nenhuma culpa
O amor é que é uma coisa cruel
e absurda