segunda-feira, 2 de setembro de 2013

Desconsidere, por favor.

Eu queria ter te deixado sozinho comigo,
mas eu não sei não disfarçar
o que eu já estou acostumada a esconder
Então presta atenção no que eu não falei
e decide o que vai fazer
Com tudo o que eu te dei
com os olhos, com as mãos, com os lábios.

Torta de rima ruim. Bom, isso só importa a mim.

"Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica."

"Carlos, sossegue, o amor é isso
que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe
o que será."

Carlos Drummond de Andrade

Quero que a técnica vá para o espaço
Ao inferno você e essas aulas de poesia!
Você acha que pode me ensinar a rima
E quer manipular meu traço.

Até parece que você não sabe o que é sofrer
e que a escrita é um jeito de escapar da vida
Quem nunca chorou por amar demais alguém
é que acha que não tem como letrar asperezas vividas 

Eu quero que se foda essa coisa que Drummond fala,
aposto que não era tudo isso que ele pensava
Pronde é que eu vou correr se estou apaixonada?

Se o que eu escrevo é ruim ou se é bom
só interessa a mim e ao que restou
de um amor triste e que poucos minutos durou.           

sexta-feira, 30 de agosto de 2013

Então era isso?

   Peço licença para falar da preocupação mais pessoal que já exteriorizei via internet: há alguns dias venho pensando nos meus 18 anos:  na festa de aniversário, onde vai ser, como vai ser, quem vou chamar. Ontem, durante uma aula com um dos professores mais maravilhosos que já tive na vida, tive uma epifania. Poxa, pra quê vou comemorar a saída de uma fase tão maravilhosa quanto a infância? É triste. Antes eu estava tão ansiosa, tão perplexa com a ideia de que eu não iria mais apresentar outras identidades em portas de baladas que esse insight momentâneo quase me fez cair para trás. Estou caminhando rumo a melancolia. Em breve, não é que verei as coisas de outro jeito, mas serei obrigada a ver as coisas de outro jeito. Estou acostumada com aquela ideia de ser "madura demais para minha idade"; virou quase um título. Tipo o da Hermione: "das bruxas de sua idade você é a mais inteligente que eu conheço" (ah, se eu fosse como a Emma, ou se pelo menos estivesse em Hogwarts, eu estaria no último ano me preparando para as N.I.E.M.'s). Esse título que eu ganhei vai se dissolver com a idade, nessa idade que nada do que eu fale ou faça impressionará, pelo contrário, será o esperado. Eu vou ter que inventar outros jeitos de impressionar, mas o que? Entrar na faculdade com 16 anos foi o meu ápice, mas e agora, com 18? Estar na faculdade com 18 é o esperado, agora tudo que eu faça será o esperado, nada mais que a minha obrigação. Mas, Nalua, pare de ser tão trágica. É, é fácil falar para quem ainda não percebeu que deixou para trás todas as desculpas de ser criança, as justificativas pelas merdas que fez, a convivência aceitável com gente tão mais nova. Não, não faz sentido. Vou reformular: é fácil falar que sou trágica para quem ainda não percebeu que sua infância, sabe aquela legal, cara? Ela morreu.

Desculpa pelo desabafo sem nexo, este post evitou que eu batesse minha cabeça na parede até, finalmente, perceber que a fase que vem por aí vai ser bem mais produtiva que os últimos 17 anos e quase 6 meses. E que, afinal, eu não preciso impressionar ninguém, apenas curtir e quebrar barreiras pessoais. Obrigada, caras, obrigada.

quarta-feira, 28 de agosto de 2013

Crença

Se for verdade o que dizem, nesta semana você não dormiu, de tanto que pensei em você. Você pronunciou meu nome incontáveis vezes, pelas vezes incontáveis que falei em você. Você pensou, ainda que sem querer, em mim, de tanto que eu quis te ter.

sexta-feira, 23 de agosto de 2013

A pedra

Era uma vez uma pedra
pra cá e pra lá ela rolava
"nunca fui feliz na vida" dizia ela
e tonta ela já estava

Um dia a pedra dormiu
acordou no bolso de um garoto
"agora é que eu morri", #partiu
Mas, dentro do bolso, gostou do balanço

Sonhou que estava no céu
Mas no céu ela não estava
A pedra agora o dia passa
como peso de papel.


quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Tão verdade quanto meu olhos são castanhos


Pausa pro Leminskão

ai daqueles
que se amaram sem nenhuma briga
aqueles que deixaram
que a mágoa nova
virasse a chaga antiga

ai daqueles que se amaram
sem saber que amar é pão feito em casa
e que a pedra só não voa
porque não quer
porque não tem asa

_Paulo Leminski