segunda-feira, 31 de março de 2014

Ilusão

   Dizem que aos 18 anos você não sabe o que é amar. Bom, também me disseram que aos 12 eu não sabia... E provavelmente aos 30 me dirão que eu ainda não terei bem certeza do que é. Certeza, certeza eu acho que nunca vou ter mesmo. Mas de uma coisa eu sei: enquanto houver momentos assim com você, seja em um bistrô com um mocaccino, na nossa cama com um café e um Doors, ou na rua com o vento no rosto, eu sei o que é amor e o encontrei aos 18 anos de idade. Porque pessoas como eu já nascem sabendo amar, e, se o conceito de amor é uma ilusão, então rezo para morrer iludida. Iludida e ao seu lado.

segunda-feira, 24 de março de 2014

Enfim liberta na prisão

O dia nasceu trazendo escuridão
não imaginei que um eclipse solar
não trouxesse solidão
nunca imaginei que a luz apagada
me fizesse viajar além
das janelas fechadas
que me lembram que alguém
as mantém lacradas
para eu ficar bem

quarta-feira, 19 de março de 2014

Next level

   Começou? Sim, caros, a vida chegou. 
   Chegou trazendo uma casa nova no centro e um emprego a mais.
   A responsabilidade bateu.
   Ontem quando entrei em casa não senti mais como se fosse minha casa... Não me vi mais deitada naquela cama box, meus livros pareceram deslocados naquela estante, meu reflexo no espelho era o de visita. E vou ser visita até entrar naquela casinha de cômodos pequenos, de mãos dadas com o meu amor e transformar aquilo num lar. Num lugar habitável e quente. Quando eu disser que aquela cama de casal e aquele armário de mogno são nossos, então a vida sorriu pra gente.
   Loucos, eles disseram, vocês vão voltar na primeira semana.
   Não se desiste da vida assim, em uma semana. É loucura? É. Não nego. Mas mais loucos ainda são os que não têm coragem de tentar. Tô vivendo bem, vou sair sem olhar para trás e procurar minha felicidade. 

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Reflexo

NÓS DOIS
DOIS NÓS

Ladrão de coração

Ladrão!
Ladrão de almas e de coração
ladrão de versos
ladrão de rimas
ladrão de rotinas
ladrão de pensamento

Mas me roube quantas vezes quiser
já que me roubou inteira
que me tenha o quanto der

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Ensaio sobre gostar

- Medo.
- De quê? 
- De que eu leia o mesmo livro, as mesmas páginas, o mesmo epílogo, o mesmo prólogo, a mesma trama, o mesmo clímax e, inevitavelmente, o mesmo fim. Até a sinopse nas orelhas pode se repetir.
- Vem sem medo, amor, e deixa eu cuidar de você. 

   Foi a coisa mais óbvia, clichê e piegas que alguém poderia ter dito. Mas mesmo sem confiar, eu fui. Fui porque parecia sólido e abstrato ao mesmo tempo, e era disso que eu precisava no momento. Precisava de um abstrato colorido, que não me prometesse futuro, e, sim, presente, mas que mesmo sem prometer me desse a sensação de eu poderia incluí-lo nos planos. Foi segurança o fator determinante. E aí fui me apaixonando pelos detalhezinhos não relevantes e muito importantes. 
   Veio como um tornado derrubando toda a cidadezinha que eu conhecia, que eu construí. Fez questão de não deixar nenhuma parede em pé. Com esses mimos, esses beijos, esse cheiro de chocolate e perfume uma da manhã na casa vazia, o café na cama às duas da tarde no quarto cheio de nós dois, a promessa de que tudo vai ficar bem. Um mês com jeito de nuvem macia, com a intensidade de bicicleta sem freio na descida. A vontade de nunca acabar.
   Tô cheia de esperança, de vontade de escrever outro livro, de acordar antes do sol e dormir depois dele, de aproveitar o dia em cada segundo. Porque gostar de alguém é tão mais externo do que o que está no nosso coração.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014