domingo, 9 de fevereiro de 2014

Ensaio sobre gostar

- Medo.
- De quê? 
- De que eu leia o mesmo livro, as mesmas páginas, o mesmo epílogo, o mesmo prólogo, a mesma trama, o mesmo clímax e, inevitavelmente, o mesmo fim. Até a sinopse nas orelhas pode se repetir.
- Vem sem medo, amor, e deixa eu cuidar de você. 

   Foi a coisa mais óbvia, clichê e piegas que alguém poderia ter dito. Mas mesmo sem confiar, eu fui. Fui porque parecia sólido e abstrato ao mesmo tempo, e era disso que eu precisava no momento. Precisava de um abstrato colorido, que não me prometesse futuro, e, sim, presente, mas que mesmo sem prometer me desse a sensação de eu poderia incluí-lo nos planos. Foi segurança o fator determinante. E aí fui me apaixonando pelos detalhezinhos não relevantes e muito importantes. 
   Veio como um tornado derrubando toda a cidadezinha que eu conhecia, que eu construí. Fez questão de não deixar nenhuma parede em pé. Com esses mimos, esses beijos, esse cheiro de chocolate e perfume uma da manhã na casa vazia, o café na cama às duas da tarde no quarto cheio de nós dois, a promessa de que tudo vai ficar bem. Um mês com jeito de nuvem macia, com a intensidade de bicicleta sem freio na descida. A vontade de nunca acabar.
   Tô cheia de esperança, de vontade de escrever outro livro, de acordar antes do sol e dormir depois dele, de aproveitar o dia em cada segundo. Porque gostar de alguém é tão mais externo do que o que está no nosso coração.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

Estrelas

Tinha estrelas no céu,
meio que caiu na minha mão
a confusão me atrapalhou
não decidi se queria as estrelas no meu teto
ou na imensidão do universo

É que a Lua tem dessas coisas meio egoístas
quer todas as luzes só pra ela
mas eu prometo que vou deixar meio livre
pra luz das estrelas não virarem luz de vela

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

Adeus

Me inspire
e respire este ar salgado
lembre de mim cercada de constelações
uma melodia nova
e uma letra riscada no papel de pão
porque foi a única coisa que encontrou

Lembre de mim assim
meio letra torta em linha reta
porque você me partiu ao meio
e eu cansada, parti.

sábado, 11 de janeiro de 2014

Sim, você e eu

Tô esperando esse teu "sim"
pra tirar os desenhos da pasta
e bater na porta da tua casa
mostrando os traços que te fiz

Você sorrindo pra mim do papel
nem parecia mentira
parecia que tua vida era minha
parecia que eu te tinha nas mãos

Eu não te imploraria
mas peço que teu lado amigo
não deixe que tua amiga
se afogue nesse mar de expectativa

porque eu tenho medo de mar
só não tenho medo de amar
porque eu sempre gostei de perigos
mas sempre achei que você fosse mais fácil que nadar

Vou bater aí daqui dois dias
vou fingir que nada aconteceu
você pode dizer sim se quiser
vai ser um segredo: você e eu.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

Bactéria

Tá tudo meio confuso agora.
Mas minha vó tem uma teoria pra remédios que deve funcionar com os assuntos do coração:
Se tá doendo e porque tá limpando.
E assim vejo você: uma bactéria sendo evacuada da ferida.
Tá doendo, mas se tá doendo e porque tá curando.
Daqui a pouco sobra só a cicatriz, mas com cicatriz eu já estou acostumada.